quarta-feira, 8 de junho de 2016

Um Grande Guerreiro

          Há exatamente um ano escrevi aqui pela última vez. Infelizmente volto para tristemente falar sobre um amigo que acabou de partir. Conheci o Lucas na Ilha do Pavão, época em que remávamos juntos no União. Sempre vou lembrar dele como um cara extremamente alegre e com alto astral; de longe ele nos avistava e vinha alegremente nos cumprimentar com movimentos sempre energéticos. 
          Desde o remo o Lucas já era decidido em cursar engenharia mecânica. E conseguiu, estudou na mesma universidade que eu, onde nos encontrávamos frequentemente. Participou de diversos encontros da FUFA, sendo muito amigo de todos nós. Quando soubemos que sofria de leucemia ficamos todos tristes e chocados, sempre torcendo por melhoras. Ele sempre nos manteve informados sobre sua situação, mostrando um otimismo enorme. Da última vez que deu notícias já estava falando sobre alta e marcando um próximo encontro com o pessoal e comermos pão com Nutella, como ele bem enfatizou. Ficamos todos de coração partido com a notícia, mas sabemos que ele lutou até o fim e nunca deixou de mostrar isso.
          Em nome de todos nós, desejo os mais sinceros sentimentos à família, ele foi uma grande pessoa e tenho certeza que será sempre lembrado por todos. Sua alegria e otimismo, dignos de um verdadeiro amigo, ficarão guardadas para sempre conosco.

Foi um prazer vivenciar essa amizade.

Vá em paz, Lucas Santurio.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

LOBO

          Minha refeição favorita é lasanha. Amo lasanha, assim como amo tantas outras coisas, mas uma lasanha... Todos os dias quando chego em casa a primeira coisa que falo quando entro pela porta não é "oi", e sim: "onde está a lasanha?". Eu não quis dizer que pergunto com bastante frequência se minha mãe fez ou não lasanha (o que 99,9999% das vezes ela não fez), eu literalmente pergunto, há anos, TODOS OS DIAS "onde está a lasanha?". Afinal, um dia há de ter uma lasanha me esperando. EU AMO LASANHA. Assim como amo tantas outras coisas.



          Tenho poucas lembranças de quando era pequeno. Uma delas é a primeira música de que me recordo: Ana Júlia, dos Los Hermanos. Linda música. Mas uma coisa que é difícil lembrar são os momentos em que eu não tinha ao lado meu Pastor Alemão, o Lobo. Quando eu estava na 3° série, participei de uma feira de filhotes, onde os alunos levavam seus animais de estimação. O Lobo tinha meses na época, e fez o maior sucesso na feira. Outra vez, ele ainda filhote, eu o assustei com uma mascara do Batman e me arrependo até hoje, pois ele realmente se assustou com aquilo. Era o cachorro mais calmo que eu conhecia e respeitava demais à minha família. Sua lealdade era inquestionável.
          Ele esteve presente em praticamente toda minha vida escolar e é por isso que é realmente difícil lembrar dos momentos em que ele não estava presente. Já com mais de dez anos, notamos que a idade tinha o alcançado e era triste ver ele tentar levantar-se e não conseguir, ainda mais sendo uma pastor enorme. Semana passada ele completou catorze anos de vida e é muito raro cachorros de  raça de grande porte alcançaram tamanha idade. Toda vez que eu chegava ele levantava e vinha até mim no portão. Eu o "xingava", claro, afinal um cachorro da idade dele não deveria mais ficar levantando para me receber. Mas eu agradecia. Uma coisa que ninguém sabe é que quase sempre eu não saio de casa sem me despedir de cada um dos cachorros, nem que seja só os olhando de longe, eu apenas dou tchau para cada um e saio. Na volta era um carinho na cabeça de cada um (sério, um por um).
          Porém, hoje pela manhã, eu saí e não o vi. Não vi nenhum deles. Mas o ônibus já ia passar e me fui para a parada, sem perceber que se eu tivesse me atinado àquilo, eu poderia ter feito o que eu mentalmente já havia pedido a ele: que ele me avisasse quando partisse, para que eu pudesse me despedir. 



          Já bem tarde hoje, que estava bem frio, eu abri a porta, entrei em casa e perguntei: "onde está o Lobo?"



Vanderlei Amaral









sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ilex paraguariensis às 6h

          Ele estava parado no galho mais alto da árvore. Voou cerca de um metro acima, deu uma volta e voltou ao lugar de repouso. Não havia vento, nem mesmo outros animais em volta. As folhas mal se mexiam. A pergunta feita por mim naquele momento foi: por que o pássaro fez aquilo, sem nenhum motivo aparente?
          Bem, a resposta pode ser dada com a própria pergunta. Por motivo algum. Ou pelo mais simples motivo: porque ele podia, afinal era um pássaro e pássaros voam. Essa semana assisti a um vídeo no qual um conhecido físico respondia à pergunta de um garoto de 6 anos e três quartos de idade. A pergunta foi "qual o sentido da vida?". Sabiamente o físico respondeu que o sentido da vida é algo que nós mesmos criamos. Um dia em que não aprendemos algo a mais do dia anterior é um dia desperdiçado, o que é realmente verdade; afinal, nunca se sabe quando será o último. Não sabendo disto, o pássaro alçou voo não para fugir de um predador nem sequer para buscar algum alimento. Simplesmente por voar.



          O maior sonho de um garoto, certa vez, era patinar. Seu pai, sabendo disso, comprou o melhor e mais bonito par de patins para o seu filho. O garoto não soube expressar tamanha felicidade ao ver o presente, contou a todos os seus amigos sobre o ocorrido e ficaram igualmente felizes. Porém, ele não queria estragar os patins, pois gostava muito do presente e o que sempre quis foi justamente patinar. Resolveu então guardá-los para uma situação especial, enquanto seus amigos brincavam com seus próprios patins, que não chegavam nem perto da beleza e da qualidade do que  ganhara de seu pai.
          Passado algum tempo os patins continuavam guardados, pois o garoto não encontrara a situação certa para usá-los. Até que um dia, cansado de esperar, ele finalmente resolve experimentar e sentir a tão esperada sensação de usar o melhor par de patins que existia. Porém, ao tentar calçar o par ele se deu conta de que havia crescido demais e já não lhe servia. Não pode evitar de lembrar dos momentos que viu seus amigos se divertindo enquanto ele apenas assistia, e percebeu o terrível erro que cometera.
          (Essa história eu li certa vez e reescrevi com minhas palavras).



          Todos deveriam encontrar, ao menos uma vez na vida, o garoto loiro com vestes de príncipe. Para lembrar as pessoas a fazerem as perguntas certas, a querer as coisas certas, sem medo de voar nem mesmo de calçar os patins. As palavras confundem, até mesmo essas. Mas no fim, isso nem mesmo importa. A raposa já disse, só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
       
          A pergunta de agora é: o carneiro terá ou não comido a flor?



Vanderlei Amaral

domingo, 20 de maio de 2012

Integrantes da FUFA e do Clube de Radioamadores constroem amplificador de áudio

         Grande parte do material que há no Clube, para não falarmos tudo, foi doado tanto por quarteis quanto por amigos radioamadores. Uma dessas doações foi um receptor de CW (sinal em código morse). Como não íamos utilizá-lo, aproveitamos para usar seus conectores nas antenas que estávamos construindo. Fizemos três antenas dipolo: 10, 15 e 20m, só faltavam os conectores para o cabo coaxial. Depois de retirarmos todos os conectores achamos um CI, que era o amplificador de áudio do equipamento.
Conectores
          A parte mais trabalhosa foi tirar o CI da placa, e quando tiramos bastou procurar seu código na internet e encontrar seu Datasheet (http://www.electronica-pt.com/db/circuitos-audio.php?ref=UPC2002) . Os capacitores e os resistores nós retiramos dos próprios equipamentos que tínhamos no laboratório de Física, e os que faltaram, compramos.
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          Em uma outra placa fomos soldando os componentes do circuito do amplificador de áudio. Solda pra lá, resistor pra cá, ligação errada aqui, capacitor invertido …, mas no final estava tudo pronto e no devido lugar. Na hora de testar tiver alguns problemas, um deles era que um dos capacitores era para 6V, sendo que o circuito era para 13,2V, e outro era a provável não filtragem da fonte, que precisava ser em corrente contínua. Utilizamos então uma bateria, de 9V, que tínhamos certeza que seria corrente contínua, e… pronto! Estávamos ouvindo o som de um radinho passando pelo amplificador que nós mesmos construímos.
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          O gráfico de nosso progresso é uma reta com coeficiente angular positivo, ela não desce. Os desafios só vão aumentando. Já estamos pensando em construir o esquema de um receptor de VHF…
receptor_de_vhf
Vanderlei Amaral

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Alfabeto fonético da OTAN

‎"O ALFA ficou BRAVO ao saber que CHARLIE, comissário de bordo da DELTA Airlines, dono de um ECHO esporte e um FOXTROT, foi de GOLF pro HOTEL, onde conheceu uma linda INDIA chamada JULIET. Ela era de LIMA, largou-o e casou-se com MIKE em NOVEMBER. Ganhou o OSCAR e foi abençoada pelo PAPA em QUEBEC. Outro azarado foi ROMEU que subiu a SIERRA, dançou TANGO de UNIFORM com VICTOR depois de tomar WHISKY, acordando com o X-RAY de um YANKEE chamado ZULU na mão..."